Carta de Princípios

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A Carta de Princípios da Fundação Terra Agora estabelece os princípios que constituem as linhas orientadoras para uma boa gestão da Fundação. Permite a qualquer pessoa, membro dos órgãos sociais, guardiões, mecenas, entre outros papéis, exercer o seu mandato ou papel de acordo com o propósito, valores e princípios da Fundação. Resulta dos estatutos da Fundação.

A Carta incentiva as pessoas que interagem com a Fundação a irem além do cumprimento legal, adotando normas e práticas reconhecidas e alinhadas com padrões de gestão, éticos, sociais, ambientais e de qualidade, em qualquer contexto da ação da Fundação.

Os membros de órgãos sociais da Fundação, em particular:

  • reconhecem a importância da partilha de informação sobre governação e gestão da Fundação, respondendo e esclarecendo sobre dúvidas e preocupações, contribuindo assim para a divulgação da importância e relevância de adoção de práticas éticas;
  • consideram a Carta uma iniciativa aplicável a todos os órgãos e procuraram dialogar com os membros de outros órgãos de forma a encorajá-los a seguirem a Carta.

Esta Carta foi aprovada em Reunião do Conselho de Curadores da Fundação de Abril de 2024 e encontra-se em vigor desde essa data. Será revista, no máximo, a cada 5 anos – próxima revisão até o ano de 2028. Todas as propostas de alteração devem ser enviadas, no momento em que surjam, para o Conselho de Administração da Fundação.

O processo de alteração da Carta é:

  • Conselho de Administração consulta todas as partes, ouvindo todos os Presidentes dos Orgãos Sociais, bem como Mecenas e Guardiões e recolhe as propostas de alteração;
  • Elabora nova versão e aprova em reunião de Conselho de Administração, submetendo a versão aprovada ao Conselho de Curadores;
  • Conselho de Curadores faz aprovação após negociação com o Conselho de Administração, sendo o processo mediado pelos respectivos presidentes;
  • A versão aprovada da Carta é enviada pelo Conselho de Administração a todas as partes interessadas e publicada no website da Fundação.
  • A Carta de Princípios, o Código de Ética, a Carta de Princípios dos Mecenas e a Carta de Princípios dos Guardiões são quatro documentos que formam uma unidade e devem ser revistos em conjunto.

Sobre a Fundação

Bem comum

A Fundação cuida do bem comum ‘terra’, i.e., parte terrestre (por complemento à parte oceânica) do Planeta Terra, incluindo rios e lagos.

Propósito

Dedicamos o nosso trabalho às gerações futuras de todas as espécies. O maior legado que lhes podemos deixar é uma Terra bem cuidada, para que também eles possam beneficiar da sua imensa beleza, diversidade e generosidade. Que possam subsistir e florescer. Que sejam felizes e vivam em paz.

Visão

Vislumbramos um futuro em que todos os seres possam coexistir numa Terra que apenas pertence a si mesma.

A nossa visão é de uma Terra com dignidade constitucional, que não é comprada nem vendida mas sim cuidada, num paradigma emergente onde nós, como seres humanos, somos guardiões participantes conscientes da Vida na Terra, transformando a maneira como beneficiamos e desfrutamos da sua beleza através de uma gestão sustentável e socialmente responsável.

Missão

Combinamos a conservação, regeneração e a gestão das paisagens naturais, e também do património imobiliário, com projectos empreendedores inovadores e com as comunidades locais, que atuam como guardiões com o objectivo de proteger, conservar e regenerar os ecossistemas naturais e humanos.

Valores

  • Gaia
  • Integridade
  • Unicidade

Princípios

Cuidar da:

  • Dignidade da Terra
  • Dignidade da Vida (na Terra)
  • Dignidade Humana (indivíduo)
  • Dignidade Social (colectivo)

Cultivando:

  • Perspectiva Integral
  • Perspectiva Evolucionária
  • Perspectiva Governação
  • Perspectiva Ética

Conceitos fundamentais

  • Bens estratégicos: São os prédios (urbanos, rústicos ou mistos) em que a Fundação é a proprietária do solo, e, no caso de prédios em propriedade horizontal, em que a Fundação é proprietária de todas as fracções autónomas. A Fundação é um ‘cofre’ de Bens estratégicos.
  • Bens não estratégicos: São os demais bens imóveis da Fundação.
  • Entidades Guardiões: São entidades jurídicas colectivas, com quem a Fundação celebra contratos com vista à execução de projectos de conservação e regeneração dos bens estratégicos. A Fundação é uma rede de comunidades locais regenerativas que são guardiões da Vida na Terra.

Dignidade da Terra

Agir sabendo que a Terra não pertence a ninguém.

O Planeta Terra existe por si, tem uma dinâmica própria no contexto do Universo. Continuará a existir independente de haver Vida no planeta e em particular Seres Humanos.

Acreditamos que a Terra é livre e apenas pertence a si própria. Que nenhum Ser Humano pode ser dono (proprietário, público, privado ou comunitário) da Terra. Houve um tempo em que um Ser Humano poderia ser dono de outro Ser Humano (escravatura). A consciência humana evoluiu de forma a que isso já não é possível e tolerável hoje. Acreditamos que a consciência humana continuará a evoluir e que num futuro próximo não será possível e tolerável um Ser Humano ser dono da Terra (propriedade).

Este princípio convida a agir sabendo que o Planeta Terra não precisa dos Seres Humanos para existir. Que os seres humanos precisam do Planeta Terra para existirem. Os Seres Humanos são guardiões que cuidam da Terra e garantem que os sistemas naturais são usufruídos em conformidade com a capacidade de regeneração da Terra.

Dignidade da Vida

Agir sabendo que a Natureza é Vida.

Fazemos parte da comunidade da Vida na Terra (Gaia).

Os Seres Humanos são participantes da Vida na Terra como todas as outras formas de Vida. Se nós a ocupamos e queremos fazer uso da Terra é nosso dever fazê-lo de uma forma que seja social e ecologicamente justa e balanceada.

Este princípio convida-nos a agir sabendo que somos parte da Vida na Terra, que somos participantes conscientes na Vida na Terra e que temos que proteger a Vida e a sua diversidade (biodiversidade).

Dignidade Humana

Agir sabendo que cada Humano tem um Ser e um Propósito de Vida (Trabalho).

Fazemos parte da comunidade dos Seres Humanos na Terra (Humanidade).

Independente de onde nascemos, moramos, da nossa religião, género, cor da pele, preferência sexual ou qualquer outro ‘atributo’, somos Seres Humanos com os mesmos direitos. Temos um conjunto de necessidades universais. Somos múltiplos, nas personalidades, nas inteligências, nas formas de aprender, comunicar, sentir. Vivemos segundo um sistema de valores e manifestamos os nossos Seres e o nosso Trabalho, colocando-nos ao serviço da Vida.

Este princípio convida a agir sabendo que somos parte da comunidade humana e que todos os seres humanos têm os mesmos direitos e necessidades universais – direitos humanos das Nações Unidas.

Reconhecemos que cada Ser Humano tem 5 corpos – um corpo físico, um corpo emocional, um corpo intelectual, um corpo energético e um corpo arquetípico (propósito e valores). Cuidar ou atentar sobre um ou mais destes corpos é cuidar e atentar a Dignidade Humana.

Dignidade Social

Agir sabendo que temos um ‘corpo’ social num Local (ou Lugar).

Fazemos parte da comunidade Local, onde vivemos em cada momento, o nosso bairro, cidade, país, continente, a nossa cultura, incluindo a nossa religião e etnia.

Em cada momento, temos os nossos pés num Lugar, independentemente se nascemos ou não nesse Lugar é nossa responsabilidade cuidar do lugar e das comunidades humanas que os habitam. Temos um corpo social formado pelas nossas famílias, amigos, vizinhos, pelos nossos antepassados, pela história de cada Lugar, a história natural e cultural de cada Lugar.

Cada comunidade humana consiste num mosaico de povos, tradições, crenças e instituições moldadas de forma única por pressões de longo prazo da geografia, história humana, cultura, ambiente Local e necessidades humanas em mudança. Honrando esse fato, uma Economia Regenerativa nutre comunidades e regiões saudáveis e resilientes, cada uma informada de forma única pela essência da sua história e Lugar individuais.

Perspectiva Integral

Agir sabendo que a realidade é multidimensional.

A perspectiva integral quer dizer que a realidade é multidimensional e que cada assunto se interliga e relaciona com o todo. Que cada perspectiva tem uma verdade, mesmo que não se saiba qual. A alimentação – nutrientes, proteínas – também tem causas interiores como a não violência humana ou animal. É cultural, ajustada a cada Lugar, e considera muitos sistemas, desde a produção, distribuição, regeneração, entre outros. Cada pessoa tem necessidades diferentes, em diferentes momentos da vida, é dependente do género, e é apreciada de acordo com os níveis e estado de consciência de cada pessoa. E é assim para cada tema.

Perspectiva Evolucionária

Agir sabendo que tudo evolui.

O Universo está em contínua evolução, tem um impulso evolucionário. A evolução manifesta-se pela contínua experimentação numa realidade experiencial, neutra (nem positiva ou negativa, nem boa ou má).

Perspectiva da Governação

Agir sabendo que a responsabilidade é individual e a ação é em equipa.

Promovemos uma governação não hierárquica, circular, entre pares, dialógica, relacional, participativa e colaborativa, onde cada pessoa tem a sua voz e o direito e o dever de a usar e ser ouvida. Que há uma inteligência que se manifesta nos coletivos quando os campos sociais os suportam, como é o caso das tecnologias sociais de governação dialógica, relacional, democráticas, colaborativas e participativas (e.g. Teoria U, Torus Technology, Sociocracia 3.0).

Perspectiva Ética

Agir sabendo que toda a ação tem impacto.

Por ação entende-se o mover, pensar, sentir, intencionar e dar significado. Toda a ação tem um impacto. Cultivamos a perspectiva ética que agir é tornar melhor do que estava – de forma consistente com Gaia – porque eu agi; é cuidar:

  • Planeta Terra (Gaia)
  • Vida na Terra
  • Humanidade
  • Comunidades Locais

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