1. Introdução
O presente documento constitui o Plano de Ação da Fundação Terra Agora (FTA) para o exercício de 2026, definindo as prioridades estratégicas, as metas operacionais, a estrutura de equipa e os recursos financeiros necessários para a sua concretização. Este plano é enquadrado pelo Plano Estratégico 2026–2030, aprovado pelo Conselho de Administração em outubro de 2025.
2025 foi um ano de consolidação estratégica, ampliação de capacidade e preparação para o crescimento. Em 2025 a FTA procedeu à reformulação dos seus órgãos sociais, à expansão da equipa executiva, ao desenvolvimento do Plano Estratégico 2026–2030, à implementação de sistemas operacionais essenciais e ao início da estruturação dos três programas de capacitação.
2026 marca o ano em que a Fundação Terra Agora se expõe plenamente ao país. É o ano em que lançamos programas, escalamos a rede de guardiões e começamos a transformar a relação de Portugal com a terra.
2. Enquadramento
Missão: Transformar a nossa relação de proprietários com a terra numa relação de regeneração perpétua sob a liderança de guardiões locais.
Visão: Um mundo onde a Terra pertence apenas a si mesma.
Propósito: Cultivar uma nova relação com a Terra: de proprietários a guardiões.
Stewardship ecológico de longo prazo: A Fundação Terra Agora assume o papel de guardião institucional de ativos estratégicos territoriais, assegurando que terras doadas ou colocadas sob proteção permanecem dedicadas à regeneração ecológica em perpetuidade. Neste modelo, a FTA garante a integridade ecológica e a continuidade do propósito regenerativo das terras, enquanto Entidades Guardiãs locais, coletivos enraizados no território, concebem e executam os planos de regeneração socioecológica e as atividades económicas regenerativas associadas.
Desta forma, a Fundação cuida sem assumir o controle, protegendo o propósito ecológico das terras enquanto fortalece a autonomia e responsabilidade das comunidades que as regeneram.
O Plano Estratégico 2026–2030 define seis prioridades que orientam toda a ação da FTA neste período. Para 2026, primeiro ano de implementação, estas prioridades traduzem-se em ações concretas com diferentes níveis de maturidade:
| Prioridade Estratégica | Foco em 2026 | Horizonte |
| 1. Construir rede de terras protegidas e guardiões | Formalizar processos; concretizar 3 doações de terra; iniciar scouting ativo | Curto prazo |
| 2. Apoiar Idanha-a-Vida como modelo demonstrador | Finalizar Acordo de Guardião e Visão a 7 gerações até Q3 2026 | Curto prazo |
| 3. Lançar 3 programas de capacitação | 2 edições da Academia; 1 iniciativa Lab; 1 iniciativa Rede | Curto prazo |
| 4. Estabelecer modelo de receita sustentável | Construir Circle of Friends (≥250 membros); diversificar fontes | Curto/Médio |
| 5. Posicionar FTA como referência nacional | 10 parcerias institucionais; presença média nacional | Médio prazo |
| 6. Alcançar Estatuto de Utilidade Pública | Preparação do caso para candidatura em 2027 | Médio prazo |
Metas-Chave do Plano Estratégico (2026–2030)
As metas quantificáveis do Plano Estratégico para o período completo incluem a aprovação de 25 entidades guardiãs estratégicas, a construção de uma Rede Regional de 10 guildas, a criação de um Fundo de Dotação para Guardiões de €300k e o estabelecimento de um Fundo de Investimento em Terras com meta inicial de €1M. Em 2026, o foco estará em lançar as bases para cada uma destas metas.
Este trabalho posiciona progressivamente a Fundação Terra Agora como um ator emergente na regeneração ecológica e na proteção de paisagens rurais em Portugal, contribuindo para a restauração de ecossistemas, para a revitalização de comunidades rurais e para o desenvolvimento de novos modelos de stewardship territorial alinhados com os objetivos nacionais e europeus de restauração da natureza.
Alinhamento com políticas europeias de restauração ecológica
O trabalho da Fundação Terra Agora encontra-se também alinhado com as orientações emergentes da política ambiental europeia, nomeadamente com os objetivos do Regulamento Europeu de Restauração da Natureza e da Estratégia da União Europeia para a Biodiversidade 2030, que apelam à restauração de ecossistemas degradados e ao reforço da resiliência das paisagens.
Ao promover modelos de guardianship territorial, a FTA contribui para a proteção e regeneração de ativos estratégicos ecológicos, criando condições para que comunidades locais — organizadas em Entidades Guardiãs — possam desenvolver práticas regenerativas que restauram solos, biodiversidade e ciclos hidrológicos, enquanto fortalecem a vitalidade social e económica dos territórios rurais.
3. Prioridades Operacionais para 2026
3.1 Terras e Guardiões
A construção da rede de terras protegidas e entidades guardiãs é o pilar central da missão da FTA. Em 2026, pretendemos concretizar novas doações de terra e formalizar os processos legais e de governança que permitirão escalar esta rede nos anos seguintes.
Estrutura legal e processos
• Definir e validar com a Deloitte Legal Telles a estrutura jurídica para receber terras e formalizar acordos de Guardião
• Criar formulários padronizados de manifestação de interesse para terras e para guardiões
• Estabelecer e testar processo completo de due diligence para cada terra doada
Idanha-a-Vida (projeto demonstrador), Idanha-a-Velha
Idanha‑a‑Vida constitui o primeiro território piloto do modelo de guardianship da Fundação Terra Agora, funcionando como paisagem demonstradora de regeneração socioecológica em Portugal.
O objetivo é testar na prática a integração entre regeneração ecológica, revitalização comunitária e modelos econômicos regenerativos, criando um caso replicável para outros territórios rurais do país.
Idanha-a-Vida continua como prioridade estratégica, enquanto modelo de regeneração territorial. Em 2026, o foco será na finalização do Acordo de Guardião até ao terceiro trimestre. As ações incluem:
• Kick-off formal do processo de Guardião com a equipa de terreno
• Recolha de dados para baseline ecológica, social e económica
• Co-criação de plano de regeneração e modelos de negócio sustentáveis a 10 anos
• Clarificação do papel do financiador principal (Tobias) e do município
• Parecer dos conselhos (CC, CF, CA) para assinatura de contrato de longo prazo
M.A.E. (Associação M.A.E.), Vila de Rei
Avançar no processo de doação de terra, incluindo kick-off do processo de Guardião, recolha de baseline, co-criação de plano de regeneração, resolução de questões legais e formalização do contrato de stewardship com parecer dos conselhos competentes.
Horto do Amor, Tomar (e novas terras)
Dar início ao processo com o Horto do Amor e ativar o scouting de novas oportunidades de doação de terras, qualificando leads e formalizando processos.
Métricas esperadas
| Indicador | Meta 2026 |
| N.º de novos leads de terras | 3 |
| N.º de terras doadas | 2 |
| Custo médio de aquisição por terra | €5.450 |
3.2 Programas
2026 marca o lançamento operacional dos três programas estruturantes previstos no Plano Estratégico, cuja conceptualização foi iniciada em 2025.
Academia de Empreendedorismo Regenerativo
Programa de formação modular destinado a potenciais Guardiões, abrangendo competências em regeneração, governança participativa, empreendedorismo, resolução de conflitos e restauração socioecológica. A estrutura está a ser co-criada com a Biovilla (e/ou uma entidade similar) e inclui uma componente online mais bootcamp presencial de 3 dias. Prevêem-se uma a duas edições de 20 participantes cada. A implementação poderá ser in-house, em parceria ou subcontratada.
Terra Agora Lab
Hub de investigação colaborativa que conecta investigadores e praticantes em soluções regenerativas. Em 2026 contamos que possa ser lançado 1 programa de I&D de pequena escala. A implementação poderá ser in-house, em parceria ou subcontratada.
Rede de Ação Regenerativa
Rede de “advocacy” para promover mudança regenerativa em Portugal. Em 2026, será lançada uma iniciativa de pequena escala destinada a replicar em Portugal a boa prática “Direito Real de Conservação”, existente no Chile, com enfoque na adaptação do enquadramento jurídico ao contexto português e na promoção de uma linha de financiamento público para a regeneração de terras protegidas em perpetuidade, sob liderança privada. O lançamento do Fórum Regenerar Portugal está previsto para Q1 2027.
Métricas esperadas
| Indicador | Meta 2026 |
| N.º de edições da Academia | 1-2 |
| Total de participantes na Academia | 20-40 |
| N.º de iniciativas Lab | 1 |
| N.º de iniciativas Rede | 1 |
3.3 Angariação de Fundos e Comunicação
A sustentabilidade financeira é uma prioridade crítica para 2026. Dando continuidade ao trabalho de 2025 na definição de um modelo de receitas ético e diversificado, o plano de angariação de fundos e comunicação para 2026 estrutura-se em torno das seguintes ações:
Angariação de fundos
• Fechar e implementar o plano de fundraising e comunicação (março)
• Formar equipa de vendas e lançar campanha para programa de doadores individuais GROVE
• Agendar apresentações em clubes filantrópicos e redes empresariais
• Criar brochuras segmentadas por target (GROVE, doadores de terras)
• Estruturar Land Fund e Guardian Fund (auscultação, pareceres legais, validação pelo CA/CC/CF)
• Candidaturas a “grants” restritos e programas europeus destinadas a mobilizar recursos para a regeneração territorial, apoiando tanto as Entidades Guardiãs associadas à FTA como outros guardiões e iniciativas alinhadas com os princípios de stewardship ecológico e regeneração das paisagens.
• Os recursos mobilizados através de doações e “grants” destinam-se prioritariamente à proteção e regeneração ecológica de ativos estratégicos territoriais, assegurando que estas paisagens permanecem dedicadas à restauração da natureza e ao stewardship comunitário de longo prazo.
Comunicação e marca
• Lançamento do novo website alinhado com a estratégia renovada (março)
• Contratação de prestador de serviços para relações públicas e redes sociais (LinkedIn e Instagram como canais prioritários)
• Produção de conteúdo vídeo e materiais impressos
• Manter CRM atualizado com novos leads e atualizações
Metas de receitas
| Fonte de Receita | Meta 2026 |
| GROVE (doações individuais) | €42.500 |
| Grants não restritos (corporativos e fundações) | €60.000 |
| Vendas de programas (Academia, Lab, Rede) | €52.000 |
| Total de receitas previstas | €154.500 |
3.4 Monitorização e Medição de Impacto
A FTA reconhece que a transição de um paradigma exclusivamente filantrópico para um modelo centrado na criação de valor regenerativo duradouro exige capacidade de medir e comunicar de forma credível o impacto ecológico, social e económico das suas iniciativas. Em 2026, as ações nesta área incluem:
- Formar círculo consultivo de monitorização
- Validar processo proposto com o círculo e testar instrumentos de recolha de dados
- Preparar e circular proposta pelo Conselho de Administração e Curadores
- Adaptar materiais de comunicação com doadores para incorporar sistema de impacto
Indicadores de regeneração socioecológica
De forma progressiva, a FTA procurará desenvolver um conjunto de indicadores que permitam acompanhar o impacto das suas iniciativas na regeneração das paisagens e comunidades, incluindo:
Capital Natural
- hectares de terra sob guardianship ecológica
- evolução de indicadores de biodiversidade e qualidade do habitat
- melhoria da matéria orgânica do solo e da saúde do solo
- indicadores de retenção de água e resiliência climática
Capital Social
- número de Entidades Guardiãs ativas
- nível de participação comunitária nos processos de regeneração
- parcerias territoriais estabelecidas
Capital Humano
- número de novos guardiões formados ou acompanhados
- participantes em programas de capacitação regenerativa
Capital Cultural
- iniciativas de valorização de conhecimento local e práticas tradicionais de gestão da paisagem
Capital Financeiro
- recursos mobilizados para regeneração de ativos estratégicos territoriais.
3.5 Governança e Compliance
A governança robusta é essencial para a credibilidade da FTA e para a preparação do pedido de Estatuto de Utilidade Pública previsto para 2027. Em 2026, as atividades de governança incluem:
- Apoiar a aprovação anual das contas do exercício 2025 no prazo legal, com parecer prévio do CC
- Preparar reportes trimestrais aos conselhos (CA, CC, CF, CT)
- Assegurar submissão de relatórios ao Secretário-Geral da Presidência do Conselho de Ministros até 30 de abril
- Manter conformidade com Lei 24/2012, controlos AML/CFT (Lei 83/2017) e RGPD
- Iniciar preparação do dossier para candidatura a Utilidade Pública em 2027
- Registar alterações de governança pendentes na Conservatória
4. Equipa e Recursos Humanos
A equipa da FTA em 2026 reflete a necessidade de equilibrar ambição estratégica com prudência financeira. A estrutura foi reorganizada com foco em eficiência e complementaridade de competências.
4.1 Estrutura da Equipa Executiva
| Função | Nome | Regime | Dedicação | Áreas de Responsabilidade |
| Presidente CE | Ivan Sellers | Pro bono + despesas | Tempo integral | Estratégia, relações institucionais, fundraising estratégico, Land & Guardian Fund |
| Gestora — Operações e Fundraising | Luana Tomé | Contrato | Tempo parcial | Fundraising, comunicação, gestão administrativa |
| Gestor — Terras e Guardiões | João Brites | Prestação de serviços | Tempo parcial | Processos de doação de terras, relação com guardiões, monitorização (Terra Agora Labs) |
| Gestor — Grants e Conformidade | Simon Knoop | Prestação de serviços | Tempo parcial | Responsável pelas candidaturas a subvenções e pela conformidade, de advocacy e da Regenerative Action Network |
| Gestor – Formação de Guardiões | Ivan Sellers | Pro bono + despesas | Tempo integral | Responsável por criar uma estrutura de formação e partilha de conhecimento para guardiões (Academy) |
A equipa será apoiada semanalmente por um steering committee, responsável por apoiar reflexões estratégicas, a revisão de documentos, entre outras atividades.
4.2 Outros prestadores de Serviços Externos
| Serviço | Custo Anual Estimado |
| Contabilidade | €2.695 |
| Apoio jurídico | €12.085 |
| Website | €4.754 |
| Social media e PR | €7.380 |
| Apoio a estruturação da formação | €5.950 |
| Consultoria monitorização | €5.000 |
| Apoio pontual (grants, gestão) | €7.200 |
| ROC (pro bono) | €0 |
5. Cronograma de Implementação
O cronograma de implementação para 2026 está organizado por trimestre e por área de atuação, refletindo a priorização definida no roadmap operacional da equipa.
| Trimestre | Marcos Principais |
| Q1 (jan–mar) | Fechar plano de fundraising; lançar website; criar brochuras GROVE; kick-off processos Guardião (Idanha-a-Vida e MAE); co-definir estrutura da Academia com Biovilla; reporte trimestral aos conselhos; contratar pessoa relações públicas/social media |
| Q2 (abr–jun) | Campanha GROVE ativa; recolha baseline Idanha-a-Vida e MAE; testes instrumentos monitorização; 1.ª edição Academia; candidaturas a grants; gestão inscrições Academia |
| Q3 (jul–set) | Finalizar Acordo de Guardião Idanha-a-Vida; co-criar planos de regeneração; lançar iniciativa Lab; estruturar programas para vendas corporate; 2.ª edição Academia |
| Q4 (out–dez) | Formalizar doações de terra; lançar iniciativa Rede; fechar acordo funding Tobias; preparar dossier Utilidade Pública; avaliar resultados anuais e preparar plano 2027 |
6. Gestão de Riscos
Em linha com o Plano Estratégico, a FTA mantém uma matriz de gestão de riscos abrangente. Os principais riscos identificados para 2026 e as respetivas estratégias de mitigação são:
| Risco | Impacto | Mitigação |
| Terra sem guardião | Passivo financeiro | Só aceitar doações com Guardião identificado; acordos backup com municípios |
| Subdesempenho de guardiões | Risco reputacional | Formação contínua; monitorização; planos de remediação em 30 dias |
| Volatilidade de financiamento | Sustentabilidade | Mix diversificado de receitas; ≤40% dependência de fonte única |
| Governança/conformidade | Perda de eleg. pública | Cumprimento estrito Lei 24/2012 e calendário de conformidade |
| Risco climático | Pressão ecológica | Gestão adaptativa; alianças paisagísticas; rede de embaixadores |
| Reputacional | Erosão de confiança | Transparência; auditoria; protocolo de crise; Comité Ético |
7. Conclusão
2026 é o ano de exposição pública e implementação ativa da Fundação Terra Agora. Após dois anos de institucionalização (2024) e consolidação estratégica (2025), a FTA está posicionada para lançar os seus programas de capacitação, concretizar as primeiras doações de terra, formalizar relações de Guardião e construir uma base sustentável de financiamento.
O presente plano reflete um equilíbrio entre ambição estratégica e realismo operacional, sustentado por um orçamento equilibrado, uma equipa experiente e complementar, e o enquadramento claro proporcionado pelo Plano Estratégico 2026–2030.
Ao longo dos próximos anos, a Fundação Terra Agora procurará contribuir para o desenvolvimento de uma rede de paisagens regenerativas em Portugal, onde ativos estratégicos territoriais são protegidos institucionalmente pela Fundação e regenerados por Entidades Guardiãs locais, criando condições para prosperidade ecológica, comunitária e económica a longo prazo.
Através deste trabalho, a Fundação Terra Agora pretende contribuir diretamente para a restauração de ecossistemas degradados, a regeneração de solos e biodiversidade e o reforço da resiliência das paisagens rurais portuguesas face às alterações climáticas.
A FTA convida todos os que partilham desta visão — guardiões, doadores, parceiros e cidadãos — a juntarem-se a nós neste caminho de transformação da relação de Portugal com a terra.
Ivan Patrick Sellers
Presidente da Comissão Executiva
Fundação Terra Agora
Susana Carvalho
Membro da Comissão Executiva
Fundação Terra Agora