Relatório de Contas 2025

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Resumo do Relatório de Atividades 2025 da Fundação Terra Agora

O presente documento constitui um resumo do Relatório de Atividades da Fundação Terra Agora (FTA) relativo ao exercício de 2025, cobrindo o período entre janeiro e dezembro de 2025. O ano de 2025 representou uma fase de consolidação institucional, reorganização estratégica e preparação para crescimento futuro. Depois de um primeiro ano centrado na formalização jurídica e operacional da Fundação, 2025 foi dedicado à construção das bases necessárias para a expansão programática e territorial prevista para os anos seguintes.

Ao longo do ano, a Fundação aprofundou o seu modelo de atuação baseado no conceito de guardianship territorial, procurando criar mecanismos institucionais capazes de proteger ativos ecológicos estratégicos e apoiar entidades guardiãs locais na regeneração de ecossistemas e comunidades rurais. Em outubro de 2025 foi aprovado o Plano Estratégico 2026–2030, documento estruturante que definiu seis prioridades principais para a Fundação: construir uma rede de terras protegidas e entidades guardiãs; apoiar o projeto Idanha-a-Vida como modelo demonstrador; lançar programas de capacitação; criar um modelo financeiro sustentável; posicionar a FTA como referência nacional em regeneração paisagística; e alcançar o estatuto de Utilidade Pública.

A missão da Fundação consolidou-se em torno da regeneração ecológica e social de paisagens através de modelos colaborativos de stewardship intergeracional. A FTA procura promover uma relação renovada com a terra, orientada para o restauro ecológico, fortalecimento comunitário e desenvolvimento de modelos económicos regenerativos de longo prazo.

Durante 2025, a Fundação concentrou esforços na consolidação institucional e da governança. Foram resolvidas pendências administrativas herdadas da fase inicial e clarificadas competências entre os diferentes órgãos sociais. Entre dezembro de 2024 e abril de 2025 ocorreram mudanças significativas na liderança da organização. Ivan Sellers assumiu a Presidência do Conselho de Administração e da Comissão Executiva, procurando reforçar a articulação entre visão estratégica e execução operacional. Paulo de Carvalho passou a presidir ao Conselho de Curadores. Francisco Neves integrou a liderança executiva trazendo experiência em organizações de impacto, enquanto Susana Carvalho reforçou a ligação ao ecossistema internacional associado ao Presencing Institute.

Também ocorreram alterações noutros órgãos sociais. Michelle Hausler transitou para o Conselho de Curadores e António Araújo integrou o Conselho de Administração, acrescentando experiência em conservação da natureza e gestão territorial. No Conselho Fiscal, Samuel Lucas substituiu Telma Curado após a sua reforma. Estas alterações contribuíram para reforçar competências técnicas, aumentar a capacidade de supervisão e consolidar mecanismos de prestação de contas.

Ao nível estratégico, 2025 marcou a transformação da visão fundadora da FTA numa estratégia operacional clara para os anos seguintes. O Plano Estratégico 2026-2030 definiu objetivos concretos relacionados com proteção de ecossistemas, apoio a entidades guardiãs e criação de uma rede regenerativa nacional. Entre as metas estabelecidas encontra-se a aprovação de 25 entidades guardiãs até 2030, através de processos de formação, acompanhamento e mentoria.

Foram também desenhadas três iniciativas estruturantes para apoiar esta visão: a Academia de Empreendedorismo Regenerativo, orientada para formação de guardiões; o Terra Agora Lab, focado em investigação aplicada e colaboração entre investigadores e praticantes; e a Rede de Ação Regenerativa, destinada a promover advocacy e articulação de políticas públicas relacionadas com regeneração ecológica e stewardship territorial.

A sustentabilidade económica da Fundação assumiu igualmente grande importância. Durante o ano foram explorados modelos financeiros que procuram combinar filantropia, investimento de impacto e mecanismos de financiamento de longo prazo. Entre as ideias desenvolvidas encontram-se a criação de um Fundo de Dotação para Guardiões e o desenvolvimento do círculo de doadores “The Grove”. Simultaneamente, começaram a ser estruturados mecanismos de compliance e sistemas de monitorização de impacto capazes de avaliar os resultados ecológicos, sociais e económicos gerados pelas atividades da Fundação.

A área de recursos humanos e desenvolvimento organizacional foi outra prioridade central em 2025. A Fundação reconheceu que a sua capacidade de gerar impacto dependeria da qualidade da equipa e das redes colaborativas construídas. Ivan Sellers assumiu funções executivas a tempo inteiro, garantindo maior foco e coordenação interna.

Ao longo do ano foram recrutadas novas pessoas para áreas estratégicas. Francisco Neves assumiu funções de General Manager, contribuindo com experiência em gestão de organizações de impacto. Raquel Rodrigues integrou a equipa nas áreas de fundraising e comunicação. Inês Rebelo apoiou o desenvolvimento da narrativa institucional e Daniel Mendes colaborou em comunicação, design thinking e estruturação de sistemas digitais.

A Fundação investiu igualmente no fortalecimento das suas capacidades internas e das suas redes de colaboração. Foi realizada uma sessão de Dragon Dreaming facilitada por Virgílio Varela, centrada no alinhamento da equipa e na clarificação de objetivos comuns. Foram promovidos encontros de ligação à comunidade regenerativa nacional, envolvendo potenciais entidades guardiãs e parceiros em vários pontos do país, incluindo Tomar, Manteigas, Sintra, Vila de Rei e Idanha-a-Nova.

Durante o ano foram ainda lançados seis grupos de trabalho especializados dedicados a temas críticos para o desenvolvimento da Fundação: estratégia, formação de guardiões, angariação de fundos, sistemas regenerativos, comunicação e eventos. Cada grupo contou com liderança especializada e produziu contributos incorporados posteriormente no Plano Estratégico 2026-2030.

A comunicação e construção de marca assumiram igualmente grande relevância em 2025. A Fundação reconheceu que a sua capacidade de mobilizar guardiões, parceiros e apoiantes depende de uma narrativa clara, coerente e credível. Nesse sentido, iniciou-se o reposicionamento digital da organização através do desenvolvimento de um novo website alinhado com a estratégia renovada.

Foram desenvolvidos conteúdos institucionais, apresentações estratégicas e materiais de comunicação destinados a diferentes públicos, incluindo doadores, entidades guardiãs, parceiros institucionais e público geral. A narrativa institucional foi aprofundada para comunicar de forma mais clara o propósito da Fundação, a sua visão sobre regeneração ecológica e o modelo de stewardship territorial.

Ao nível tecnológico, a Fundação investiu em sistemas de suporte ao crescimento organizacional. Foram reorganizados os sistemas de armazenamento e acesso digital, implementado o Slack como plataforma de comunicação interna e adotadas ferramentas de gestão de projetos e colaboração.

Também começou a ser explorada a utilização de ferramentas de inteligência artificial para apoiar operações internas. Entre as ferramentas utilizadas destacam-se Gamma para apresentações, Notebook LM para análise documental e Perplexity para pesquisa aprofundada. Simultaneamente avançou-se na estruturação de um sistema CRM destinado à gestão integrada de contactos, doações e potenciais guardiões.

Na área da capacitação, 2025 foi sobretudo um ano de preparação dos programas que serão lançados em 2026. O Programa de Formação em Empreendedorismo Regenerativo começou a ser desenhado como uma formação modular focada em regeneração ecológica, governança, empreendedorismo e resolução de conflitos. O objetivo destes programas será apoiar o surgimento de novas gerações de guardiões da terra capazes de restaurar ecossistemas e fortalecer comunidades rurais.

Em paralelo, avançou-se na conceptualização do Terra Agora Lab como espaço de investigação colaborativa e da Regenerative Action Network enquanto rede dedicada à promoção de mudanças regenerativas em Portugal.

Um dos momentos relevantes de 2025 foi a realização de um evento estratégico na Vivid Farms, em julho, que marcou o início do posicionamento mais público da Fundação junto da comunidade regenerativa portuguesa e internacional. O encontro reuniu investigadores, guardiões emergentes e líderes de pensamento ligados à regeneração socioecológica.

O programa incluiu visitas à quinta, apresentações de especialistas, workshops colaborativos e momentos de networking regenerativo. Foram discutidos temas como escalabilidade de práticas regenerativas, financiamento sustentável, modelos de stewardship e fortalecimento comunitário. O evento permitiu ampliar a rede de contactos da Fundação e gerar aprendizagens relevantes para o futuro Fórum Regenerar Portugal.

O trabalho com o projeto Idanha-a-Vida continuou a ser uma das principais prioridades da Fundação em 2025. Este projeto é visto como uma paisagem demonstradora de regeneração socioecológica, onde podem ser experimentadas soluções relacionadas com restauro de ecossistemas, regeneração do solo, aumento da biodiversidade e fortalecimento das comunidades locais.

A Fundação apoiou processos de construção de confiança e desenvolvimento organizacional junto da equipa local. Foi apoiada a contratação da consultora Lúcida para trabalhar processos regenerativos e colaboração regional. A FTA participou também na segunda edição do festival “Pela Terra”, realizado em conjunto com a comunidade local.

Ao longo do ano foram promovidas visitas de especialistas e consultas estratégicas para apoiar o desenvolvimento do projeto. Simultaneamente houve alinhamento com financiadores sobre o plano de implementação de investimentos significativos no território.

Além de Idanha-a-Vida, avançaram contactos com outros potenciais projetos guardiões. Em Vila de Rei e Tomar foram aprofundadas relações com potenciais doadores de terra interessados em integrar os seus territórios no modelo da Fundação. Também foi submetida uma candidatura conjunta com a associação Movimento Ação Ecológica a uma call internacional de financiamento focada em comunidades regenerativas.

As parcerias estratégicas constituíram outro eixo importante do trabalho desenvolvido em 2025. A Fundação iniciou contactos e trocas de aprendizagem com organizações e especialistas nacionais e internacionais ligados à regeneração ecológica, financiamento regenerativo e stewardship territorial.

Entre os contactos estabelecidos encontram-se entidades como Commonland, Climate Farmers, Landscape Finance Lab e Fundación Terra Austral. Em Portugal foram desenvolvidas parcerias jurídicas pro bono com a Deloitte Legal Telles e outros parceiros especializados, incluindo colaboração relacionada com o desenvolvimento de propostas para uma futura Lei de Conservação para privados.

A Fundação iniciou igualmente conversas com entidades como a Biovilla e a Lúcida para explorar possibilidades de co-criação de programas de formação para guardiões.

Na área de monitorização e impacto, a Fundação reconheceu a necessidade de criar sistemas robustos capazes de medir e comunicar o valor ecológico, social e económico criado pelos projetos apoiados. Começou assim a ser desenhado um framework de impacto holístico combinando os 5 Capitais da Regenesis, os 4 Retornos da Commonland, métricas UN-SEEA e a plataforma digital Value Flow.

A intenção é construir um sistema de monitorização transparente e auditável que permita acompanhar indicadores relacionados com saúde do solo, biodiversidade, retenção de água, resiliência climática e fortalecimento comunitário. Este sistema deverá apoiar tanto a gestão interna como a comunicação com doadores, investidores e entidades guardiãs.

No plano financeiro, a Fundação manteve uma estrutura relativamente estável. As demonstrações financeiras refletem sobretudo despesas relacionadas com serviços externos, equipa inicial e desenvolvimento institucional. O principal ativo da Fundação continuou a ser a Herdade Marrocos, associada ao projeto Idanha-a-Vida.

A Fundação reforçou igualmente o compromisso com transparência e boa governação, apresentando os principais documentos financeiros do exercício, incluindo Demonstração de Resultados, Balanço, Fluxos de Caixa, Alterações nos Fundos Patrimoniais e Anexos às Demonstrações Financeiras.

O relatório conclui reconhecendo que 2025 foi um ano de consolidação estratégica e preparação para crescimento futuro. A Fundação considera ter construído uma organização mais resiliente, com visão clara, liderança reforçada, sistemas operacionais mais robustos e uma rede crescente de parceiros, especialistas e potenciais guardiões.

Foram deixados agradecimentos à equipa, parceiros pro bono, doadores, guardiões emergentes e líderes de pensamento que apoiaram o percurso da Fundação ao longo do ano. O documento destaca igualmente a ambição de 2026 representar o início de uma nova fase marcada pelo lançamento público dos programas de capacitação, expansão da rede de terras e guardiões, implementação dos sistemas de monitorização e fortalecimento da presença pública da Fundação.

O trabalho desenvolvido em 2025 permitiu assim criar as bases institucionais, estratégicas e operacionais necessárias para apoiar a regeneração ecológica de paisagens e o desenvolvimento de comunidades guardiãs comprometidas com a proteção de longo prazo da terra em Portugal.

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